terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Capítulo 1 \ Página 1

CAPÍTULO 1
Companheiros de Viagem
Página 1 

Há uma citação famosa que li em algum lugar. Ela diz que recebemos segundas chances a cada dia

de nossas vidas. Elas estão ali para serem agarradas, só que não costumamos agarrá-las.
Passei grande parte da vida provando essa citação. Deram-me um monte de oportunidades, às
vezes a cada dia. Por um longo tempo, falhei em não agarrar nenhuma delas, mas depois, no início
da primavera de 2007, isso finalmente começou a mudar. Foi quando fiz amizade com Bob.
Olhando para trás, algo me diz que aquela pode ter sido a segunda chance dele também.
A primeira vez que o encontrei foi em uma sombria noite de quinta-feira, em março. Londres
ainda não havia se livrado do inverno e ainda havia um frio cortante nas ruas, especialmente
quando os ventos sopravam do Tâmisa. Havia até mesmo um indício de geada no ar naquela noite,
razão pela qual retornei para minha nova moradia subvencionada em Tottenham, no norte de
Londres, um pouco mais cedo do que o habitual, depois de um dia fazendo apresentações de rua na
região de Covent Garden.
Como sempre, trazia meu estojo de guitarra preto e a mochila pendurados nos ombros, mas
naquela noite também tinha comigo minha amiga mais próxima, Belle. Nós havíamos saído juntos
anos atrás, mas, agora, éramos apenas colegas. Pretendíamos comer alguma comida pronta e barata
com curry e assistir a um filme na pequena televisão em preto e branco que eu conseguira encontrar
em uma loja de caridade virando a esquina.
Como de costume, o elevador do prédio não estava funcionando. Por isso, dirigimo-nos para o
primeiro lance de escadas, resignados em encarar a longa subida até o quinto andar.
A lâmpada fluorescente no corredor estava queimada e parte do térreo estava imersa na
escuridão, mas, enquanto caminhávamos para a escada, não pude deixar de notar um par de olhos
brilhantes nas sombras. Quando ouvi um miado suave e ligeiramente melancólico, percebi o que
era.
Chegando mais perto, à meia-luz, vi um gato laranja enrolado sobre o capacho de um dos
apartamentos do andar térreo, no corredor que partia do corredor principal. Cresci em meio a gatos
e sempre tive certa queda por eles. Ao me mover até ele para olhá-lo melhor, constatei que se
tratava de um macho.
Eu não o havia visto antes perto dos apartamentos, mas, mesmo na escuridão, pude notar que
havia algo de especial nele. Eu já era capaz de afirmar que ele tinha certa personalidade. Ele não

estava nem um pouco nervoso; na verdade, era exatamente o oposto. Havia nele uma confiança









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